Um balanço em imagens da primeira fase da Copa, por Anderson Gurgel

Abertura da Copa2014_foto andersongurge
Passamos anos ouvindo a expressão “Imagina na Copa”. Pois é, o maior evento futebolístico do mundo não só já começou com já está indo para a sua segunda fase, a dos jogos eliminatórios. Nesse ciclo de cerca de quinze dias iniciais muita coisa aconteceu e, por consequência, muitas imagens tomaram conta do nosso dia a dia.
As imagens são centrais nos megaeventos esportivos. E, por isso, não poderia fazer esse precário balanço preliminar sem elas.

Sempre que penso nos megaeventos esportivos lembro de algumas manifestações que são típicas desse contexto. O curioso é que elas são “a cara” da Copa do Mundo, ainda que tenham pouco a ver como futebol.  Uma delas é a febre dos álbuns de figurinhas. Outra é a obsessão das pessoas por adquirirem aparelhos de TV cada vez mais high tech. Uma terceira é o discurso da mídia sobre a plateia global que acompanha essas atividades. As três, de formas distintas, envolvem imagens.
Além disso, esses assuntos listados acima parecem ter como ponto de convergência o futebol, mas na verdade o que os une é essa importante manifestação social e midiática que foi crescendo ao longo do século passado: os megaeventos esportivos. Vejam que, no último mundial, por exemplo, a audiência acumulada foi de cerca de 30 bilhões de pessoas. Mas do estamos falando, se neste planeta que vivemos existem cerca de 7 bilhões de habitantes?

Nesse contexto é que faz sentido o papel das tecnologias da informação e da comunicação como agentes estratégicos para o sucesso de uma Copa do Mundo. Isso começa na preocupação da Fifa com as conexões nas arenas, mas chega aos torcedores que se preocupam em ter aparelhos eficientes para se integrar ao evento, por meio das imagens.

Tive oportunidade de estar na abertura da Copa do Mundo Brasil 2014, na Arena Corinthians, em Itaquera, e também no jogo da seleção brasileira contra Camarões, em Brasília. Também, como grande parte dos brasileiros, dediquei muitas horas de atenção a jogos memoráveis pela TV, em campos nacionais.

Entre a emoção de assistir a jogos do Brasil e de outras grandes equipes e a responsabilidade de observar a organização de um dos mais importantes megaeventos esportivos do planeta é que faço minhas observações a seguir:
Sobre a organização geral da Copa – Para quem previa o “apocalipse”, um fiasco completo, a Copa do Mundo brasileira, funciona e bem. Há problemas e falhas, mas no geral tudo flui bem e com erros dentro da normalidade de eventos grandiosos. Apesar dos atrasos em obras cruciais, a percepção geral para quem vai aos estádios é muito boa. Os estádios são belíssimos, o de Brasília, por exemplo, é impressionantemente bonito. Os aeroportos estão funcionando bem, sem grandes transtornos, e o atendimento aos torcedores também está dentro da normalidade. Quem imaginaria isso, né?
O Circo Fifa e a passarela das marcas – Tanto pela TV quanto ao vivo, nos estádios, estar numa Copa do Mundo é estar num shopping Center de marcas. Assim que o ingresso autoriza a entrada do torcedor, ainda muito distante do campo, há um entorno todo dedicado às marcas. A sensação que fica é que a Copa do Mundo é, em essência, um desfile de marcas. Os estandes de todos os patrocinadores do mundial seduzem e geram entretenimento. Se você não gostar de futebol, pode passar o tempo do jogo na loja de conveniência, onde há de tudo para os fãs de lembrancinhas e amantes do Fuleco. Durante os intervalos e pré e pós-jogo os telões reforçam o contato com as marcas e suas ações para um público estratégico que vai levá-las para outros que não estiveram no local. É a “evangelização” pelas marcas na “missa” do futebol.
Hinos e Vaias – Não se pode negar a emoção de ver a Seleção Brasileira em campo. Cantar o Hino Nacional à capela é de dar nó na garganta aos mais insensíveis. Inesquecível mesmo. A tendência contagiou outros povos e a “febre do hino” é uma das marcas deste Mundial. Se o Hino Nacional é uma forma de politização pelo esporte; a vaia é outra. Vaiar, ainda que um ato rude, deselegante, faz parte do comportamento de massa. Os xingamentos à presidente Dilma, na abertura da Copa, mostraram que o futebol como campo político é poderoso e gerou um debate intenso entre várias correntes de pensamento político. Já é um prenúncio da eleição de outubro.
Sorrisos e mordidas – Um dos pontos altos citados pelos gringos, ao falar do Brasil, é a nossa cordialidade. Isso acaba sendo materializado na ideia do brasileiro sempre com um sorriso no rosto. A alegria é uma das caras da Nação, ainda que seja um teatro. Mostrar os dentes, culturalmente, sempre teve dois sentidos: o da cordialidade e o da ferocidade. No caso da mordida de Luis Suárez e sua consequente punição, temos o outro lado dessa moeda. Sempre digo que, se esporte é paixão, não podemos nos esquecer de que toda paixão é incontrolável. A punição ao jogador uruguaio é um exemplo do “amor em demasia” pelo futebol. Apesar de o juiz não ter visto, as câmeras viram. Há imagens e, como já disse acima, elas são a essência dos megaeventos. Elas emocionam, mas também condenam.
Outras imagens – Ainda há muito que comentar. Deixo como pistas para os próximos textos a possibilidade de falar das imagens ligadas a protestos; das imagens da imprensa que, de pessimista contumaz, começa a mudar de lado; das imagens de alegria do bom futebol e da chuva de gols; da integração nativo-gringo, algo que remete ao limiar desse país, entre outras.
Ainda tem muita Copa pela frente. Contudo, já dá para dizer que a Copa do Mundo do Brasil, se não for a “Copa das Copas”, ao menos, não será uma “Copa qualquer”. Faz sentido. Se o Brasil tem como uma de suas imagens a de ser o “País do Futebol”, nada mais justo que o Mundial tivesse aqui um momento de inflexão. Ansiosos, aguardamos pela segunda parte desse ritual de festa e de redescoberta do Brasil.
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