Notas sobre a abertura da Copa do Mundo do Brasil

Abertura da Copa2014_foto andersongurge

Tive oportunidade de estar na abertura da Copa do Mundo Brasil 2014, em 12 de junho de 2014, na Arena Corinthians, em Itaquera. Entre a emoção de assistir a um jogo do Brasil (versus Croácia) e a responsabilidade de observar a organização de um dos mais importantes megaeventos esportivos do planeta é que faço minhas observações a seguir:

 

Sobre os acessos ao estádio– Para quem previa o “apocalipse” na ocasião da abertura da Copa do Mundo, tivemos de fato uma situação inversa. Foi um dia lindo, típico dessa época do ano. Fui à Arena Corinthians pelo Expresso Copa. Nada mais simbólico que sair do que há de mais belo no Centro, a Estação da Luz, para ir à Zona Leste e mirar um dos possíveis futuros da cidade. Além de rápido, esse meio de transporte foi eficiente e estava limpo, com funcionários e voluntários atendendo as pessoas e orientando o fluxo da multidão. Não podemos esquecer que era feriado. Seria bom que o trânsito e o fluxo de pessoas na cidade fossem sempre assim. Afinal, foram vinte minutos do centro até Itaquera. Um sonho que poderia virar realidade cotidiana, não?

 

Sobre a Arena Corinthians e seu entorno – Chegando à Itaquera, a arena desponta imponente, destacando-se sobre um entorno de casas simples e muitos conjuntos habitacionais populares. Que os minutos de holofote virados para a região durante a Copa do Mundo contribuam para o crescimento da região! E que esse crescimento não seja somente especulação imobiliária, mas sim serviços públicos de qualidade para a população e mais sentimento de “pertencer” a São Paulo. O povo de lá merece mais respeito de quem, por causa do jogo, esteve por lá pela primeira vez (e talvez nunca volte).

 

A Arena Corinthians em ritmo de Copa – O estádio é belíssimo, mas dentro desse novo modelo de estádios de hoje. Não tem o charme de um Pacaembu ou a imponência de um Maracanã, mas tem estilo. Apesar de corintiano, acho bobagem essa “cromofobia”, mas gostei do que vi e do que já estava pronto. Há muito a fazer, sinto que a arena continuará em obras por um bom tempo após a Copa. Vai demorar um tempo para ter cara de Timão, mas o futuro é promissor.

 

O Circo Fifa e a passarela das marcas – Assim que o ingresso autoriza a entrada do torcedor, ainda muito distante do campo, há um entorno todo dedicado às marcas. A sensação que fica é que a Copa do Mundo é, em essência, um desfile de marcas. Os estandes de todos os patrocinadores do mundial seduzem e geram entretenimento. Se você não gostar de futebol, pode passar o tempo do jogo na loja de conveniência, onde há de tudo para os fãs de lembrancinhas e amantes do Fuleco. Durante os intervalos e pré e pós-jogo os telões reforçam o contato com as marcas e suas ações para um público estratégico que vai levá-las para outros que não estiveram no local. É a “evangelização” pelas marcas na “missa” do futebol.

 

Cerimônia de Abertura e Projeto Walk Again – De certa forma nenhum dos dois eventos aconteceu para quem estava no estádio. Explico-me: o número de abertura, feito pelos gringos da Fifa, ficou devendo até para desfiles de escola de samba de segunda divisão. Não é da tradição do mundial de futebol e é um evento feito para TV. Se não funcionou na TV, imagina ao vivo então. Do que vi não gostei, pois foi frio. A música oficial é horrível, mas agitou o público, por causa das celebridades envolvidas. De igual maneira, a demonstração do projeto Walk Again, desenvolvido pelo neurocientista Miguel Nicolelis, e que queria fazer uma demonstração de estudos sobre a possibilidade de um paraplégico voltar a andar sumiu em segundos na TV. No estádio ninguém viu. Tenho para mim que rolou uma vingança da Fifa com as “sabotagens” dos dirigentes brasileiros na organização da Copa.

Sobre o jogo: emoção no Hino Nacional – Não se pode negar a emoção de ver a Seleção Brasileira em campo. Cantar o Hino Nacional à capela é de dar nó na garganta aos mais insensíveis. Inesquecível mesmo. Por outro lado, o gol contra no início do jogo, para mim, deu o tom do que é a Copa de 2014: o Brasil vai ter que correr atrás para salvar seu megaevento futebolístico e poder comemorar a vitória ao fim. Foram tantos erros na preparação que não teria como iniciar sem essa sensação de “um a zero” para as adversidades.

 

É o fim: vaias e esperança – Não posso deixar de comentar minha perplexidade ao ver as pessoas emendando cantos de “sou brasileiro com muito orgulho, muito amor…” com xingamentos ofensivos à Presidente Dilma. Se as vaias são deselegantes, palavras de baixo calão então, nem sei o que dizer. Respeito quem não gosta da gestão dela e queira mostrar seu descontentamento, mas a forma rude e mal educada como isso foi feito foi outro “gol contra” do Brasil durante a abertura da Mundial. Para piorar, sobrou para ela ouvir desaforos que poderiam ser divididos a muitos governantes e participantes da organização do evento. Lamentável. Acho que, na comparação com o jogo, a Copa do Mundo do Brasil vai ser marcada por um enorme esforço de resgatar a relação do brasileiro com a seleção, com a Copa do Mundo e com o projeto de, pelo futebol, esse País encontrar seu lugar no mundo. Se isso vai dar certo? Vai demorar um pouco para saber. O jogo recém começou.

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