Na crista da onda

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O ano de 2014, pródigo em grandes momentos esportivos, reservou para o esporte brasileiro uma surpresa: É o surfe que está na crista da onda. Quando se esperava grandes resultados das seleções brasileiras na Copa do Mundo da Fifa ou mesmo nos Mundiais de Vôlei, é por meio de um esporte de prática individual e de pouca força competitiva no Brasil que veio a novidade.

Ainda que o título não viesse, o resultado já seria histórico. Mas com a conquista do Campeonato Mundial de Surfe, no Havaí, o surfista brasileiro Gabriel Medina já escreve seu nome no panteão dos heróis nacionais. E um novo ídolo do esporte nacional surge.

Não cabe ao esportista das pranchas a popularização desse esporte, pois ele já é bastante popular. O que é digno de nota é a colocação do Brasil entre aqueles países que passam a ter ídolos entre os profissionais de ponta do super seleto grupo de elite do surfe internacional.

Que o brasileiro gosta de surfe, isso não é novidade. Esse esporte vem crescendo continuamente a partir de meados do século passado e é uma realidade em termos de prática e popularidade no Brasil. Em um país de milhares de quilômetros de extensão de litoral e de rios imponentes, a busca de práticas esportivas aquática é natural.

A indústria do surfe brasileiro, que é poderosa e movimentacifras acima de R$ 7 bilhões por ano, segundo estimativas aproximadas do mercado, já envolve muita gente. Em termos de praticantes, os números são imprecisos, mas são estimados em mais de 2,5 milhões de fãs das pranchas e da maresia.

Obviamente, por isso, o mercado de surfe já é uma realidade. O surfwear é poderoso até onde não há praia. Cidades como São Paulo e Brasília são exemplos de adeptos da cultura do surfe: há muitas lojas e muitos fãs que vivem esse estilo de vida.

Para alimentar um contingente tão grande de apreciadores do estilo de vida do surfe, há muita gente trabalhando na área. Em números não muito precisos, foram estimados cerca de 400 mil pessoas com vínculos trabalhistas diretos e formais com a indústria do surf.

Mas como pode se ver um excelente vídeo chamado “Reconhecendo o Surf”, da empresa Surfari, esse esporte não somente é prática, é também cultura. Cria estilo de vida e, com isso, abre-se um mercado ainda maior.

Revistas tradicionais como a Fluir e ações midiáticas recentes como o surgimento do canal de TV por assinatura “Off”, que dá grandeespaço ao surfe, mostram que o movimento cultural do surfe continua a crescer.

É neste ponto que entra o brasileiro Gabriel Medina. Com esse jovem, o esporte ganha um embaixador poderoso para falar com novas gerações altamente midiatizadas e consumidoras. Um ídolo que vem conquistando bastante espaço para o surfe na disputada janela midiática, onde o futebol brasileiro reina soberano, mas com cada vez menos legitimidade e boas histórias.

A mídia precisa de boas histórias tanto para alimentar o jornalismo quanto o marketing do esporte. É isso que o surfe brasileiro, com o novo ídolo Medina, está conseguindo. Muita visibilidade midiática, pois praticantes e fãs do esporte já há.

Que, para além da conquista o título mundial, Medina e o surfe contribuam para que o Brasil seja cada vez mais um país de múltiplas vocações esportivas e com grandes histórias para contar. E, melhor, não necessariamente ligadas ao futebol.

Que o resultado no surfe marque a chegada de uma nova e poderosa onda de conquistas e celebrações para os esportistas e fãs de esporte brasileiros.

Parabéns, Gabriel Medina! Que seja um feliz ano novo esportivo, Brasil!

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