Do País do Futebol ao País da Copa

anderson sala de aula
Todo brasileiro cresce ouvindo que o Brasil é o “País do Futebol”. Aos poucos, vamos acreditando nessa ideia e ela passa a funcionar como uma forma de nos identificar perante outros povos. Quando falamos com “gringos”, um dos primeiros assuntos que eles associam a nós é esse esporte. Entre nós, no trabalho e no lazer, não é muito diferente. Às vezes, falar de futebol é como dizer “bom dia” ao vizinho no elevador.
De certa forma, o esporte bretão mais famoso do mundo que chegou elitizado ao Brasil e ganhou o coração e as mentes de brasileiros de todas as classes sociais, credos e sotaques é uma das facetas do “país do futebol”. Daí que podemos dizer que somos um dos “países do futebol”. Se quisermos ser humildes, é claro.
O fato é que ser uma potência futebolística nos dá um sentido cultural. O futebol torna-se mais esporte para grande parte dos brasileiros: ele cria vínculos entre grupos, gera identidade e funciona como uma forma de amálgama social. Sim, ele nos dá liga, faz parte de uma imagem moderna de Brasil.
Contudo, ser o “País do Futebol” é totalmente diferente de ser o “País da Copa do Mundo”, pois essa segunda dimensão, a do Mundial de Futebol, é a de uma importante manifestação social e midiática que foi crescendo ao longo do século passado: os megaeventos esportivos.
Por tudo isso, podemos afirmar que, do futebol, como uma mega-atividade esportiva, no sentido de grandeza mesmo, o esporte espetacularizado de uma Olimpíada e da Copa do Mundo torna-se uma mega-manifestação de mídia. Por excelência, megaevento esportivo é um produto de mídia. Ele surge nas mídias tradicionais, no século passado, e muda rapidamente com as novas tecnologias, agora já no século XXI.
Assim que o esporte midiatizado é mais que o jogo-jogado nos estádios. É produto de consumo, é objeto político-econômico. No mundo dos megaeventos esportivos, o esporte deixa de ser o foco da mensagem para constituir-se em cenário para um conjunto variado de imagens que se apresentam espetacularmente nos mais variados dispositivos comunicacionais (televisores, computadores, telefones celulares, tablets, produtos impressos, etc.).
Vejam que, no último mundial, por exemplo, a audiência acumulada foi de cerca de 30 bilhões de pessoas. Mas como, se neste planeta que vivemos existem cerca de 7 bilhões de habitantes? Falar de megaevento esportivo é falar de um tipo de esporte consumido a partir de imagens. Isso começa na preocupação da Fifa com as conexões de internet nas arenas, mas chega aos torcedores que se preocupam em ter aparelhos de televisão eficientes para se integrar ao evento, em cada lar.
A Copa do Mundo é um evento midiático e a principal forma de conectar-se a ele é por meio de imagens dos mais variados dispositivos de mídia. Dentro disso, cabe perguntar: que imagens o Brasil está gerando nesta Copa do Mundo? Como o País o do Futebol adapta-se a necessidade de ser o País da Copa?Ao longo do Mundial de Futebol do Brasil vamos tentar responder a essas perguntas e debateremos essas ideias aqui.
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