A nudez não vende mais revistas? Não.

Para a perplexidade de muitos – obviamente pertencentes à geração X e “andares superiores” – a Playboy está passando por um reposicionamento de mercado.

A revista que se caracterizou por expor a intimidade de algumas mulheres famosas e milhares de outras aspirantes à fama, percebeu que não há mais valor na imagem da nudez, em si.

Com a internet, que coloca a pornografia a um clique de todos, esse modelo de negócios vem balançando. A coisa explodiu de vez com os novos aplicativos e uma tendência comportamental bastante polêmica das novas gerações, nativas dessa era da cibervida (ou de vida exposta pela rede), que tem como síntese uma frase bastante popular que é o “manda nudes”.

Enfim, por processos complexos de mudanças tecnológicas, comportamentais, sociais e de consumo de imagens, a imagem do nu “democratizou-se”. Com um celular com Snapchat ou Whatsapp é permitido a qualquer um expor-se nas redes. Já é praticamente um tipo de cultura de tribo, como uma reportagem recente da Folha de S.Paulo, mostrou.

O problema é que o excesso de nudez inverte o sistema de valores: quanto mais se mostra menos se vale, em termos de economia da imagem. O valor da imagem passa a estar na estratégia de atrair para si os olhares e não mais no que expõe em si. Daí que talvez a nova nudez seja o que não vai se mostrar, mas sim o que se esconde.

A crise da Playboy expõe uma crise de um modelo comportalmente básico que criou o conceito de privacidade – e o jogo de se “invadir a privacidade alheia”, no caso da revista, pela força do capital.

O jogo agora é outro. No deserto do real estamos nus e expostos a regras imagéticas que não sabemos para onde nos levarão.

Filed in: Blog Tags: , , , , , ,

Deixe um comentário

Comentar

WP-SpamFree by Pole Position Marketing

© 9122 Anderson Gurgel. - Todos os Direitos Reservados. XHTML / CSS Valid.
Desenvolvimento Doka Comunicação.